quinta-feira, 5 de março de 2009

Acordai mulheres dancemos...

Texto/09/53
Carcavelos, 5 Março 2009

Numa altura em que nos habituamos a ver, ouvir e ler diariamente coisas desastrosas e monstruosas sobre África é com enorme prazer que evoco aqui Oumou Sangare, considerada a rainha de África.

Sangare nasceu no Mali em1968, cresceu no meio da miséria, actuava (cantando) com a sua mãe em casamentos e outras festas familiares para ganhar a vida.
Hoje é uma artista e empresária respeitada, dedica uma parte da sua actividade a defender os direitos e a emancipação da mulher negra.

Recentemente publicou um canto onde evoca a liberdade no seu continente, dizendo:
Acordai mulheres, dancemos.

Num continente onde por exemplo uma mulher que não case fica irremediavelmente mal vista socialmente, a voz de Oumou que corajosamente tem militado, no terreno, pelos direitos fundamentais das mulheres assume importância e enorme respeito.



Por isso quando no velho continente lutamos, legitimamente, pelos direitos das minorias não devemos nem podemos esquecer o exemplo de Oumou Sangare.

terça-feira, 3 de março de 2009

A última fronteira terrestre

Texto/09/52
Carcavelos, 3 Março 2009
A Antárctica é um dos lugares do planeta mais inóspitos e isolados para um ser humano viver, ali pouco ou nada se pode fazer na vida. Há uma excepção: é seguramente um dos melhores lugares para se fazer observação astronómica.

A astronomia nos últimos anos avançou extraordinariamente e tal facto deveu-se aos avanços tecnológicos. Em particular destacam-se o das viagens espaciais, informática, electrónica e fotografia. Um dos campos onde se tem progredido mais é justamente o da localização dos telescópios.

Tempo houve em que as observações astronómicas se faziam nas grandes cidades. Exemplo disso é, o ainda activo, Observatório Astronómico de Lisboa – criado entre 1861 e 1867. Actualmente os melhores centros de observação situam-se em montanhas elevadas.

A Antárctica é o último local para colonizar no planeta tendo-se tornado o último grito da observação astrológica. Podemos também afirmar que é um dos poucos lugares do planeta, privilegiado, para nos separar dos outros planetas e nesse contexto dizer que é a ultima fronteira terrestre.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

EUA podem dizer que não

Texto/09/49
Carcavelos, 26 Fevereiro 2009


Neste ambiente de crise globalizada em que os EUA tem vindo a enfraquecer a posição hegemónica que detinham na condução das principais politicas mundiais, alguns países carenciados tem feito diligências junto dos governos da Rússia, China, Brasil e Índia para a obtenção de ajudas financeiras. O estratagema tem sido anunciar o fecho de bases aéreas dos EUA e da Nato e com isso aliciar os potenciais financiadores. Ao que parece Islândia, Paquistão e Curdistão ficaram, na mesma, de mãos vazias pois o estratagema não resultou.

A crise global afectou sem dúvida a grande potência Estados Unidos, mas ao que parece aos putativos sucessores não lhes interessa digerir e dirigir a situação. A um mundo unipolar não está a suceder um multipolar, pelo contrário caiu-se num vazio.

E existe uma explicação, de facto para haver um sistema multipolar tem que haver, também, interesses geopolíticos diferentes que justifiquem as opções próprias e assim a assumpção de politicas individualizadas que façam a diferença. No tempo em que a politica internacional era gerido por duas potências, a Americana e a Soviética, os interesses geopolíticos estavam perfeitamente definidos e individualizados. De um lado o bloco ocidental, do outro o bloco de leste.

As organizações internacionais exprimiam, digeriam e por vezes consensualizavam os interesses afectos aos dois blocos. Por isso a sua importância era enorme.

Com a queda do muro de Berlim e a derrocada do bloco de leste, com a afirmação das economias emergentes e por fim com o desastre da administração Bush, o mundo efectivamente mudou. A crise actual é em grande medida, também, um reflexo de tudo isso.

A cimeira internacional realizada em Washington em Novembro de 2008 colocou a questão. Os países mais ricos do mundo (G-7) recorreram aos países emergentes para que estes ajudassem e colaborassem na resolução crise financeira globalizada. Agora imagine-se as dificuldades de entendimento. Se era, até então, difícil que sete se entendessem imagine-se 20 países.

Chegámos a um vazio global em que cada um olha para o seu próprio umbigo e, pela primeira vez, os EUA a braços com uma crise profunda interna poderá, quando solicitado, dizer não.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Educação e apoios à infância

A CE recentemente apresentou mais um estudo sobre educação e apoios á infância. O universo de análise abrangeu 30 países, e mais especificamente a maneira como os diferentes países abordam e organizam o pré-escolar e o apoio á infância.
O estudo foi realizado pela EUREDICE – Rede de Informação sobre Educação na Europa, e a principal conclusão a que chegou foi a de que 87% das crianças de 4 anos de idade frequentaram um estabelecimento de educação. Concluiu também que existem 2 modelos organizacionais nos países observados: (i) estrutura única – para todas as crianças em idade pré-escolar as quais são acompanhadas por profissionais qualificados e competentes e devidamente remunerados – em funcionamento nos países do Norte da Europa; (ii) estruturas separadas – consoante as idades e profissionais com qualificações e remunerações diferenciadas - em funcionamento na maior parte dos países.
Outra conclusão importante tem a ver com o facto de uma em cada seis famílias europeias com uma criança com menos de 6 anos vive no limiar da pobreza.
A mesma organização sugere que a Europa deve ter como objectivo para 2020 que 90% das crianças com 4 anos frequentem o ensino pré-primário e que por outro lado se caminhe também no sentido de se encontrar um modelo único para todos. O modelo desejado deve garantir padrões de alta qualidade e financiamento adequado.