segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Brasil - acontecimentos antidemocráticos de 8 de janeiro

O assalto à Praça dos três poderes em Brasília, pela sua magnitude e repercussão, representa um forte ataque às instituições democráticas brasileiras e do mundo. O acontecimento levado a efeito de forma organizado por forças extremistas de direita e apoiantes de Bolsonaro, as quais se inspiraram no ataque ao Capitólio dos EUA levado a cabo pelas forças, igualmente extremistas de direita, apoiantes de Trump. Ambas as forças tiveram como objectivo: anular os resultados eleitorais que deram como vencedores os seus antagonistas (Lula e Biden); Ambas utilizaram a violência e a mentira organizada; Ambas tiveram, de imediato, repercussões condenatórias nos estados democráticos; Ambas evidenciaram as debilidades dos regimes democráticos. Os acontecimentos antidemocráticos assinalados tiveram efeito multiplicador imediato no Peru,Indonésia e Turquia. Todavia, mostraram o poder de resiliência das democracias. Mas não basta o poder evidenciado por alguns estados democráticos é necessário ter em consideração o balanço dos retrocessos e avanços ocorridos no mundodesignadamente: 2021- 60 em retrocesso, 25 em avanço. Outro aspecto preocupante são os estudos internacionais que evidenciam a desconfiança, cada vez maior, das novas gerações nos sistemas políticos democráticos – os jovens não encontram soluções para os seus problemas: mercado de emprego; salários baixos; mercado habitacional. Quais as causas destes fenómenos relativamente aos quais cabe aosregimes democráticos encontrar as soluções adequados. Existem alguns denominadores comuns: fragilidade das instituições democráticas e na repercussão das mesmas no tecido económico, educacional, saúde e protecção social. As linhas estão traçadas os diagnósticos feitos compete as estados democráticos e suasinstituições trabalharem no sentido de encontrar as soluções adequados. Parece fácil, não é, mas esse é o grande desafio.

domingo, 8 de janeiro de 2023

2023 - Tendências (incógnita)

Prever 2023 é, nesta fase, um exercício difícil pelas incógnitas correspondentes. Por isso recorremos à experiência vivida em 2022, tendo obtido uma listagem de temas / assuntos que nos pareceram ser as TENDÊNCIAS mais relevantes. Um mundo com muitas incógnitas, a saber: • Redes Sociais - como evolucionam; • Digital e robótica – como evolucionam; • Guerra na Ucrânia- como será a sua evolução - haverá paz; • Tensão entre EUA e China - como tudo isso afectará a Europa; • Comportamento da Economia Global; • Pressões Energéticas; • Comércio e Investimento internacional; • Migrações - regulação de acordo com a carta dos Direitos Humanos; • Ajustes no Médio Oriente - a questão do Irão e dos seus conflitos sociais; • UE vai aumentar a sua influência estratégica; • Biden será candidato às próximas eleições americanas; • Trump será julgado; • O governo de Lula e a sua evolução no quadro (difícil) da política brasileira; • Haverá antecipação de eleições em Espanha e em Portugal. Acompanharemos e daremos aqui boa nota disso. Abraço e votos de um bom 2023.

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Despedida desafiante

No passado dia 14 de setembro fez 35 anos que entrei para o então Núcleo de Auditoria do IEFP, I.P. Na altura era um luxo trabalhar na casa, dizia-se e defendia-se que o IEFP almejava ser uma instituição pública gerida de forma privada. Os desafios eram imensos, o país preparava-se para entrar na Comunidade Económica Europeia (CEE), as políticas públicas de emprego, formação e reabilitação profissional eram cruciais para alavancar o tecido económico e social. Nas terras mais recônditas passou a haver um Centro de Emprego e em muitas capitais de distrito um Centro de Formação Profissional. Os parceiros sociais (sindicatos e associações empresariais) começaram ainda a criar, conjuntamente com o IEFP, os Centros de Formação Profissional geridos, e assentes de uma maneira inteligente, num modelo de parceria, refiro-me aos Centros de Gestão Participada – ultrapassando hoje as duas dezenas. De uma forma tripartida, aquilo que viria a ser o Conselho Económico e Social, funcionava regularmente no IEFP. O IEFP era governado no topo por um órgão executivo, Comissão Executiva, e um Conselho de Administração onde tinham assento todos os parceiros sociais e alguns ministérios. Estes órgãos eram suportados organicamente por serviços centrais, incluindo aqui os departamentos e direções de serviços especializados e finalmente as cincos delegações regionais com os seus serviços de coordenação e controlo dos Serviços de Emprego e Formação Profissional da sua área geográfica afeta. O IEFP era então um Instituto Publico de referência com níveis de autonomia e responsabilidades institucionais próprias enquadradas nos princípios e orientações preconizados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Algumas coisas alteraram-se com os anos decorridos designadamente e principalmente no que diz respeito à diminuição dos níveis de autonomia e responsabilidades próprias. Mas muita coisa ficou e o IEFP também melhorou. Hoje as responsabilidades orçamentais e financeiras estão suportadas por instrumentes de controlo e de registo adequados, os serviços de emprego e formação utilizam igualmente instrumentos estatísticos e de controlo, a instituição é hoje servida por um instrumento de informação, que permite suportar as necessidades de gestão e controlo interno. O futuro das novas tecnologias e competências digitais e robóticas serão fortemente desafiantes para o IEFP e naturalmente para os seus trabalhadores. O trabalhador do IEFP, principal ativo da instituição, tem hoje ao seu dispor suportes formativos (internos e externos) que conjugados com os níveis académicos elevados serão no futuro desafiantes e esperançosos. Ao IEFP reservar-se-á, no quadro institucional português, uma responsabilidade importante naquilo que serão os desafios estruturantes que se irão colocar aos trabalhadores e empresas.

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Sofrimento atroz

De novo escrevo mencionando António Guterres e nas circunstâncias, o pedido, enquanto secretário-geral das Nações Unidas, feito a Putin para que libertasse os civis e os militares, em cativeiro e encurralados, nas instalações da Siderurgia Azovstal, em Mariupol. Por fim foram libertados os civis e cerca de 1730 combatentes ucranianos que se renderam. O Comité Internacional da Cruz Vermelha está a registar todos os militares que abandonaram as instalações e que foram levados pelas forças russas para prisões militares. Tudo indica que ainda continuam encurralados alguns combatentes ucranianos que, ao que parece, recusam a rendição. Uma das estratégias prévias russas, logo no início da guerra foi o de se apropriar, ao mesmo tempo que avançava no terreno, de muitos milhões de toneladas de cereais ucranianos e levá-los para lugares incertos. Com esta atitude as autoridades russas desencadearam uma crise alimentar à escala mundial, relativamente à qual o FMI, prontamente avisou para a “agitação social e violência” em virtude da insegurança alimentar daí resultante e vivida em muitos países, que aliado à alta inflação, degenera em situações de fome. A morte, a destruição, a incerteza e o êxodo inerente à guerra que envolve directa e indirectamente muitos milhões de pessoas leva-nos a crer que o sofrimento atroz das populações é a principal estratégia russa. Destruir, matar, ocupar, roubar e finalmente controlar, através de representantes manipulados, as populações vencidas.

domingo, 15 de maio de 2022

Tragédia que nada a pode justificar

A ONU no passado dia 11 divulgou os seus últimos números sobre as consequências da invasão da Rússia à Ucrânia. A guerra teve o seu início em 24 de fevereiro – passaram 2 meses e meio – e o pequeno David resiste. Resiste pagando uma factura enorme bem patente na destruição massiva das cidades e aldeias ucranianas que foram atacadas pelo exército russo (forças militares terrestres, aéreas e marítimas). Resiste independentemente da morte de 3 mil civis (provavelmente abaixo do número real), da fuga de mais de 13 milhões de ucranianos, destes mais de 5,5 milhões (principalmente mulheres e crianças) saíram do país. Como diz e bem António Guterres (secretário-geral da ONU), trata-se de uma guerra da qual resultou uma tragédia que no século XXI não tem qualquer razão de ser. Nada a pode justificar.