domingo, 26 de março de 2023
Comendador Rui Nabeiro
Se for à cidade de Campo Maior facilmente encontra referências aos Cafés Delta e ao Grupo com o mesmo nome, constituído por 22 empresas.
Tudo começou numa pequena empresa – Delta Cafés – em 1961. Na altura era constituída por 3 trabalhadores e um moinho de torrefação. Hoje o Grupo Delta dá emprego a cerca de 4000 trabalhadores e é conhecido e comercializado em 41 países. Dos 3 trabalhadores iniciais um é o principal responsável pelo crescimento e desenvolvimento de uma ideia e de um projeto impar e único em Portugal.
O responsável chama-se Rui Nabeiro deixou-nos recentemente e eu aproveito para lhe deixar aqui uma pequena homenagem de respeito e profunda admiração. O Senhor Rui, como gostava de ser tratado, é também conhecido no grupo, pelos seus trabalhadores, fornecedores, clientes e por muita gente com a qual se cruzou ao longo da vida por ser um homem com um elevado nível de Responsabilidade Social.
O Comendador Rui Nabeiro por aquilo que realizou e nos deixou deve ser uma referência para todos nós e em especial para o mundo empresarial e académico português.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2023
Brasil - acontecimentos antidemocráticos de 8 de janeiro
O assalto à Praça dos três poderes em Brasília, pela sua magnitude e repercussão, representa um forte ataque às instituições democráticas brasileiras e do mundo. O acontecimento levado a efeito de forma organizado por forças extremistas de direita e apoiantes de Bolsonaro, as quais se inspiraram no ataque ao Capitólio dos EUA levado a cabo pelas forças, igualmente extremistas de direita, apoiantes de Trump.
Ambas as forças tiveram como objectivo: anular os resultados eleitorais que deram como vencedores os seus antagonistas (Lula e Biden); Ambas utilizaram a violência e a mentira organizada; Ambas tiveram, de imediato, repercussões condenatórias nos estados democráticos; Ambas evidenciaram as debilidades dos regimes democráticos. Os acontecimentos antidemocráticos assinalados tiveram efeito multiplicador imediato no Peru,Indonésia e Turquia. Todavia, mostraram o poder de resiliência das democracias.
Mas não basta o poder evidenciado por alguns estados democráticos é necessário ter em consideração o balanço dos retrocessos e avanços ocorridos no mundodesignadamente: 2021- 60 em retrocesso, 25 em avanço.
Outro aspecto preocupante são os estudos internacionais que evidenciam a desconfiança, cada vez maior, das novas gerações nos sistemas políticos democráticos – os jovens não encontram soluções para os seus problemas: mercado de emprego; salários baixos; mercado habitacional. Quais as causas destes fenómenos relativamente aos quais cabe aosregimes democráticos encontrar as soluções adequados.
Existem alguns denominadores comuns: fragilidade das instituições democráticas e na repercussão das mesmas no tecido económico, educacional, saúde e protecção social. As linhas estão traçadas os diagnósticos feitos compete as estados democráticos e suasinstituições trabalharem no sentido de encontrar as soluções adequados.
Parece fácil, não é, mas esse é o grande desafio.
domingo, 8 de janeiro de 2023
2023 - Tendências (incógnita)
Prever 2023 é, nesta fase, um exercício difícil pelas incógnitas correspondentes. Por isso recorremos à experiência vivida em 2022, tendo obtido uma listagem de temas / assuntos que nos pareceram ser as TENDÊNCIAS mais relevantes. Um mundo com muitas incógnitas, a saber:
• Redes Sociais - como evolucionam;
• Digital e robótica – como evolucionam;
• Guerra na Ucrânia- como será a sua evolução - haverá paz;
• Tensão entre EUA e China - como tudo isso afectará a Europa;
• Comportamento da Economia Global;
• Pressões Energéticas;
• Comércio e Investimento internacional;
• Migrações - regulação de acordo com a carta dos Direitos Humanos;
• Ajustes no Médio Oriente - a questão do Irão e dos seus conflitos sociais;
• UE vai aumentar a sua influência estratégica;
• Biden será candidato às próximas eleições americanas;
• Trump será julgado;
• O governo de Lula e a sua evolução no quadro (difícil) da política brasileira;
• Haverá antecipação de eleições em Espanha e em Portugal.
Acompanharemos e daremos aqui boa nota disso.
Abraço e votos de um bom 2023.
terça-feira, 4 de outubro de 2022
Despedida desafiante
No passado dia 14 de setembro fez 35 anos que entrei para o então Núcleo de Auditoria do IEFP, I.P. Na altura era um luxo trabalhar na casa, dizia-se e defendia-se que o IEFP almejava ser uma instituição pública gerida de forma privada.
Os desafios eram imensos, o país preparava-se para entrar na Comunidade Económica Europeia (CEE), as políticas públicas de emprego, formação e reabilitação profissional eram cruciais para alavancar o tecido económico e social. Nas terras mais recônditas passou a haver um Centro de Emprego e em muitas capitais de distrito um Centro de Formação Profissional. Os parceiros sociais (sindicatos e associações empresariais) começaram ainda a criar, conjuntamente com o IEFP, os Centros de Formação Profissional geridos, e assentes de uma maneira inteligente, num modelo de parceria, refiro-me aos Centros de Gestão Participada – ultrapassando hoje as duas dezenas. De uma forma tripartida, aquilo que viria a ser o Conselho Económico e Social, funcionava regularmente no IEFP. O IEFP era governado no topo por um órgão executivo, Comissão Executiva, e um Conselho de Administração onde tinham assento todos os parceiros sociais e alguns ministérios. Estes órgãos eram suportados organicamente por serviços centrais, incluindo aqui os departamentos e direções de serviços especializados e finalmente as cincos delegações regionais com os seus serviços de coordenação e controlo dos Serviços de Emprego e Formação Profissional da sua área geográfica afeta.
O IEFP era então um Instituto Publico de referência com níveis de autonomia e responsabilidades institucionais próprias enquadradas nos princípios e orientações preconizados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Algumas coisas alteraram-se com os anos decorridos designadamente e principalmente no que diz respeito à diminuição dos níveis de autonomia e responsabilidades próprias. Mas muita coisa ficou e o IEFP também melhorou. Hoje as responsabilidades orçamentais e financeiras estão suportadas por instrumentes de controlo e de registo adequados, os serviços de emprego e formação utilizam igualmente instrumentos estatísticos e de controlo, a instituição é hoje servida por um instrumento de informação, que permite suportar as necessidades de gestão e controlo interno.
O futuro das novas tecnologias e competências digitais e robóticas serão fortemente desafiantes para o IEFP e naturalmente para os seus trabalhadores.
O trabalhador do IEFP, principal ativo da instituição, tem hoje ao seu dispor suportes formativos (internos e externos) que conjugados com os níveis académicos elevados serão no futuro desafiantes e esperançosos.
Ao IEFP reservar-se-á, no quadro institucional português, uma responsabilidade importante naquilo que serão os desafios estruturantes que se irão colocar aos trabalhadores e empresas.
segunda-feira, 20 de junho de 2022
quarta-feira, 8 de junho de 2022
quinta-feira, 19 de maio de 2022
Sofrimento atroz
De novo escrevo mencionando António Guterres e nas circunstâncias, o pedido, enquanto secretário-geral das Nações Unidas, feito a Putin para que libertasse os civis e os militares, em cativeiro e encurralados, nas instalações da Siderurgia Azovstal, em Mariupol. Por fim foram libertados os civis e cerca de 1730 combatentes ucranianos que se renderam. O Comité Internacional da Cruz Vermelha está a registar todos os militares que abandonaram as instalações e que foram levados pelas forças russas para prisões militares. Tudo indica que ainda continuam encurralados alguns combatentes ucranianos que, ao que parece, recusam a rendição.
Uma das estratégias prévias russas, logo no início da guerra foi o de se apropriar, ao mesmo tempo que avançava no terreno, de muitos milhões de toneladas de cereais ucranianos e levá-los para lugares incertos. Com esta atitude as autoridades russas desencadearam uma crise alimentar à escala mundial, relativamente à qual o FMI, prontamente avisou para a “agitação social e violência” em virtude da insegurança alimentar daí resultante e vivida em muitos países, que aliado à alta inflação, degenera em situações de fome.
A morte, a destruição, a incerteza e o êxodo inerente à guerra que envolve directa e indirectamente muitos milhões de pessoas leva-nos a crer que o sofrimento atroz das populações é a principal estratégia russa. Destruir, matar, ocupar, roubar e finalmente controlar, através de representantes manipulados, as populações vencidas.
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